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7 de junho de 2014

HONG KONG: A FORTUNA DO GENERAL IRAQUIANO (GOLPE NA NET )

-->  HONG KONG: A FORTUNA DO GENERAL IRAQUIANO
"Eu me chamo Wong Chu e tenho uma proposta de negócio de US$ 30,5 milhões que é mutuamente vantajosa. Para maiores informações, contate-me em wongchu34@yahoo.com.hk." Era isso que dizia o e-mail que poderia mudar minha vida. Respondi no ato e recebi uma mensagem dois dias depois. Me chamando de "amigo", Wong se disse diretor do DBS Hong Kong, um dos maiores bancos da Ásia. Segundo ele, eu teria direito a 40% do dinheiro, ou US$ 12,2 milhões. Como? "Nosso cliente, o general Zaiki Taha Abdel, veterano das Forças Armadas do Iraque e também homem de negócios, fez um depósito de US$ 30,5 milhões. Depois descobrimos que o general e sua família foram vítimas de um atentado. Ele não mencionou nenhum herdeiro em seu testamento", contou Wong. "Se ninguém se manifestar, esse dinheiro vai para o governo." A proposta era fazer de mim o herdeiro legal do militar. "Não há riscos. Só preciso da sua cooperação." Mas por que fui eu o escolhido, afinal? Wong só dizia que "o destino te abençoou ao colocá-lo no centro da minha vida". Então tá.

Respondi enviando os dados solicitados: nome, endereço, telefone, idade e profissão. Tudo inventado, claro - decidi que meu personagem, Henri, seria um jovem filho de empresários europeus. No e-mail seguinte, Wong disse estar com tudo pronto. "Só peço que me mande uma cópia do seu passaporte, a fim de termos mais confiança um no outro. Meu advogado cuidará de apresentar você ao banco." O chinês dizia que era importante ser discreto no momento da transferência da grana. "Qualquer transação internacional é rigidamente monitorada desde aquele caso (os atentados) de 11 de setembro nos EUA." Anexado, como prova de sua existência, um passaporte: Wong Chu, cidadão da República Popular da China, 46 anos. Superfalso, claro. Um rastreamento feito por um perito, que usou softwares de análise de rede, apontou que Wong não era chinês coisíssima nenhuma. Na verdade, seus e-mails vinham de um computador nos EUA.

Resolvi dar mais corda. Fiz um passaporte de mentira no Photoshop. Mas cometi o deslize de errar na idade. No passaporte, Henri é 28 anos mais velho do que eu havia dito a Wong. O chinês nem percebeu - ou não deu a mínima. Mandou mais um e-mail no qual revelava onde a porca iria torcer o rabo: "O senhor terá de assumir os custos da abertura da conta". Ahá. Para me convencer, Wong mandou o atestado de óbito do general iraquiano e o comprovante do depósito milionário que supostamente teria feito. Esse comprovante trazia um número de telefone, que em tese seria da agência do banco. A agência realmente existia, mas o número era falso.

Recebi novas instruções: eu deveria entrar em contato com Marshall Brodericks, do Natwest Online Bank, no Reino Unido. Por que outro banco, e em outro país? Escrevi a Marshall, que me passou as instruções. Eu teria de fazer dois pagamentos: um de 1 865 libras esterlinas em nome de James Mills, e outro para Javier Carlos (1 860 libras), ambos residentes em Londres. Fiz a transferência, mas me confundi no valor: mandei apenas 50 libras. Ops. Espero que entendam como um "sinal". Não foi o que houve. O chinês Wong e o inglês Marshall enviaram uma avalanche de mais de 40 e-mails solicitando a transferência do valor integral. Então enviei um outro comprovante, devidamente manipulado no Photoshop. No entanto, o arquivo que usei como modelo trazia uma marca-d’água com a palavra scam ("golpe", em inglês). Marshall não aceitou o documento, e questionou o termo. Inventei que se tratava de uma palavra do português arcaico, nome do meu banco. Foi o suficiente para ele perder as estribeiras. "Henri, o senhor está brincando. O comprovante é falso. Só fez o Sr. Wong perder seu precioso tempo. Estou muito desapontado." O digníssimo Wong também foi ríspido: "Poderia me explicar por que o senhor armou para cima de mim?" Foi o fim do sonho de me tornar milionário pela internet. Pelo menos me diverti às custas dos golpistas.

GALES: SOCORRO! ESTOU PRESA AQUI NO HOTEL
A mensagem veio num português capenga, que parecia gerado no tradutor do Google. "Viajei para um programa de emergência de investigação [?] no País de Gales e minhas malas e meu dinheiro foram roubados", dizia a desesperada Caroline Godoy d’Essen. Ela me pedia um empréstimo de 1 400 libras esterlinas (cerca de R$ 4 mil), que prometia devolver logo que conseguisse voltar para casa. Também informava o endereço do hotel onde supostamente estava retida - North Parade, 17, condado de Llandudno, País de Gales. Coitadinha. Respondi pedindo mais informações sobre a situação. Enquanto não recebia uma resposta, chequei no Google Maps o tal endereço. Era realmente um hotel: o elegante Osborne House, com diárias a partir de 145 libras.

No dia seguinte Caroline escreveu, em inglês, dizendo que estava em maus lençóis. "Preciso sair daqui o mais rápido possível, me responda para eu saber se poderei contar com sua ajuda." Eu disse que realmente queria ajudar, mas precisava de provas. Afinal, não queria ser vítima de um golpe na internet (he he). Pedi que ela enviasse uma foto ou o telefone do hotel. Caroline me passou o número do hotel por e-mail, e pediu com impaciência: "Quando é que você vai me ajudar?" Anexada à mensagem, uma foto dela. O caso está começando a esquentar.

Liguei para o número de telefone, mas o recepcionista informou que a sra. Caroline não se encontrava. Deixei recado e resolvi checar o número. Foi aí que percebi: o telefone que Carol havia me passado não era o mesmo do hotel. Estranho. Na mesma tarde, ela me escreveu dizendo que recebera o recado. "Resolveu me ajudar? Não me deixe sozinha nessa, preciso muito de você agora."

Um dia depois, o e-mail do Yahoo que ela vinha usando na conversa foi substituído por um Gmail. "Henri, meu e-mail foi invadido por hackers que estão tentando arrancar dinheiro dos meus parentes e amigos. Espero que você não tenha enviado nada." Hã? Seria mais um truque para me confundir? O que estariam querendo agora?

Digitei "Caroline d’Essen" no Google e me surpreendi com o que achei. Era uma jornalista, com colaborações para alguns sites e publicações da Holanda e do Brasil - entre elas a SUPER! Escrevi um e-mail cheio de perguntas em português, querendo saber se ela era jornalista, o que tinha acontecido etc. Desconfiada, ela respondeu em inglês, querendo saber de onde nos conhecíamos. Nosso link em comum era justamente a revista: Caroline, que mora na Europa, tinha o hábito de mandar reportagens de lá e se corresponder com os editores da SUPER. E, por isso, estava copiada em mensagens nas quais o meu e-mail também aparecia. Foi assim que os hackers me acharam. Mundo pequeno.

Esclarecida a situação, Caroline contou como os golpistas invadiram sua conta de e-mail. "Eu recebi um e-mail do Yahoo dizendo que precisavam recadastrar os usuários. Eles pediram meu login e senha, alegando que eu perderia o acesso ao e-mail se não me recadastrasse." Ela caiu no golpe e digitou a senha num site falso - que parecia o Yahoo, mas pertencia aos hackers. Pronto: com acesso à conta de e-mail, eles começaram a se passar por ela e enviar as mensagens. A foto usada pelos bandidos não era de Caroline, mas de uma amiga dela (e estava num e-mail que ela tinha recebido e guardado).

Caroline, que nunca foi ao País de Gales, ficou sabendo do golpe depois que começou a receber ligações de amigos e parentes preocupados. "Fiquei superestressada, ligando para bancos e mudando todas as minhas senhas", conta. A única coisa que ela conseguiu descobrir sobre os ladrões é que, supostamente, eles agiram de um computador localizado na Nigéria. Já segundo o especialista em segurança Mariano Miranda, que analisou os e-mails, eles foram enviados de Ebene, Ilhas Maurício. Mas é provável que a verdadeira localização dos golpistas não seja nenhuma dessas duas - existem ferramentas que permitem camuflar, com facilidade, a localização eletrônica de qualquer computador.

Passado o tumulto em sua vida, Caroline voltou a usar a internet normalmente. Enquanto isso, eu continuo respondendo spams. Vamos ao próximo.

"Resolveu me ajudar? Não me deixe sozinha nessa. Preciso muito de você agora."
Mensagem de Carol, que precisava de dinheiro para escapar.

http://super.abril.com.br/tecnologia/caimos-golpes-internet-611048.shtml







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